“Peço-vos que sonhem e planeiem um mundo diferente.
Um mundo mais justo. Um mundo de homens e mulheres mais felizes, mais fiéis a si mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos de criar as nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos de criar os nossos filhos de uma maneira diferente.”
Neste ensaio pessoal – adaptado de uma conferência TED – Chimamanda Ngozi Adichie apresenta uma definição única do feminismo no século XXI. A escritora parte da sua experiência pessoal para defender a inclusão e a consciência nesta admirável exploração sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje. Um desafio lançado a mulheres e homens, porque todos devemos ser feministas.
A ferramenta de que todos precisamos para encontrar algo que quase estava perdido. Conjunto de textos em que a desigualdade de género é analisada através de diferentes manifestações de violência contra as mulheres, facilmente observáveis mas quase sempre desvalorizadas pela sociedade em geral. Começando pelo tratamento condescendente até ao silenciamento das mulheres: a descredibilização, a exploração, a agressão física, a violência, a morte. Solnit começa por contar um episódio cómico, em que um homem lhe explica um livro que não leu e que foi ela que o escrevera. Este episódio deu origem a um texto postado no blogue «TomDispatch» e teve uma repercussão enorme. Foi assim cunhada a palavra mansplain para a situação em que os homens explicam às mulheres coisas que elas sabem e que eles não sabem, chegando a ser considerada a palavra do ano em 2013.
Apesar do importante papel social, principalmente no que se refere à educação, até então elas nunca eram vistas como capazes de escolher os governantes. No Reino Unido, o movimento começou com a fundação da União Nacional pelo Sufrágio Feminino. De modo a expor as leis sexistas e mudar a forma como eram olhadas, um grupo de mulheres da classe operária juntam as suas vozes à de Emmeline Pankhurst, uma mulher à frente do seu tempo que há muito lutava pelos direitos das mulheres. Assim, desistindo do protesto pacífico de simples manifestações de rua ou greves de fome que nunca as levou a lado algum, estas mulheres desafiam o Estado e partem para formas de luta cada vez mais radicais, enfrentando tudo em prol da igualdade de direitos e oportunidades…
Chamava-se Pavlina. É um nome bonito, mas toda a gente a tratava por Piolha.
Em casa, eram só homens. Piolha era a mais nova, a menina da família. Media forças com os irmãos por um espaço que fosse só seu e refugiava-se a tocar piano. Uma noite, ao jantar, anunciou que ia aprender boxe. Os irmãos riram-se, mas o pai percebeu que a pequena Piolha estava mais determinada do que nunca.
Uma história delicada e arrebatadora de força feminina, que nos mostra como viver de punhos abertos.
ANTENA 3
FLAD
Envia-nos dicas de livros, filmes, documentários, artigos ou podcasts que possam enriquecer o Clube.
Das primeiras cadeias de fast-food drive-in à indústria de restaurantes finos, das garagens tecnológicas de Silicon Valley aos campos orgânicos do Vale do Hudson, o autor descortina a recente revolução alimentar e seus movimentos, apresentando os personagens centrais dessas mudanças que impactaram a forma como nos alimentamos. Uma reportagem envolvente que combina as aventuras de Anthony Bourdain com as habilidades de Malcolm Gladwell.
Um apelo urgente e impossível de ignorar que nos força a abrir os olhos e a mente para o estado de emergência climática que vivemos hoje.
Jonathan Safran Foer, um dos mais brilhantes, originais e promissores escritores da sua geração, sabe que é da maior gravidade a crise ambiental que vivemos hoje, e que é vital o envolvimento de todos nós na solução deste problema.
Por isso, escreveu Salvar o Planeta Começa ao Pequeno-Almoço Porque o clima somos nós. Porque é urgente conhecermos os números, mas mais importante ainda é sentirmos que eles têm um efeito directo nas nossas vidas e, sobretudo, que cada um, individualmente, apesar da nossa humana relutância em mudarmos os nossos hábitos, pode fazer um mundo de diferença.
Da história do restaurante à história da alimentação, da gastronomia espectáculo à consagração da figura do chef, das questões ecológicas às interrogações morais, da indústria agro-alimentar à sociedade de consumo – o tema é abordado, nos seus diferentes aspectos, por Patrick Rambourg, Alexandra Prado Coelho, Carlos Alberto Dória, Christopher Kissane, Lisa Abend, Carolyn Steel, e Thomas Macho.
«A história da alimentação e da comida – a próxima e a distante, no tempo, e no espaço – é uma história que hoje se faz e refaz para nos reconhecermos e nos desconhecermos nela, para nos sentirmos herdeiros e por vezes dissipadores. Todos os dias se publicam livros sobre o que a comida foi e como evoluiu, o que representou e o que provocou. a comida é índice, sinal, sintoma, demonstração, prova.».
O filme, realizado por Gregory Bezat e lançado em 2023, procura inspirar os espectadores com o legado da escritora e tornar o seu trabalho acessível a novas gerações.
Desta autora, um livro adicional: “Como cozinhar um lobo“
Este talvez seja um livro triste – e as pessoas, sobretudo quando se trata de livros que também são para crianças, quase sempre preferem livros felizes, esperançosos.
Nós concordamos. A esperança é a coisa mais importante do mundo. Mas, para não a perdermos de vez, não temos outra hipótese senão ver as coisas como elas são. Para as enfrentar, para as mudar, para termos um plano!
Conclusão: este só é um livro triste, se continuar tudo na mesma.
Se ninguém pestanejar, se ninguém se incomodar, se ninguém decidir mudar.
REFEITÓRIO – ANTENA 1
Marisa está na casa dos trinta anos e fartinha do seu emprego. A única forma de lidar com as provações e aflições da vida numa agência de publicidade é visitar o Prado depois de almoço, e também entorpecer os sentidos com um cocktail de ansiolíticos e vídeos intermináveis nas redes. Uma das razões pelas quais aparece no escritório é para poupar dinheiro em ar condicionado no calor sufocante de agosto em Madrid. Marisa detesta trabalhar, mas o emprego é a única coisa que lhe garante um ordenado para pagar a renda e comprar todas as coisas bonitas a que não resiste.
(…)
Este romance de pena afiada e humor na dose certa é uma seta que se espeta no leitor a cada palavra – é a nossa vida, enfim. Uma radiografia magistral das crises vividas por qualquer trabalhador, da solidão, da necessidade de relações e conexões humanas para encontrar uma luz de esperança que nos dê força para não nos atirarmos para a frente de um autocarro sempre que chega a segunda-feira de manhã.
Ensaio profético e demolidor, Terra Queimada (2022) expõe a forma como o complexo internético se tornou, para a maioria de nós, «motor implacável de vício, solidão, falsas esperanças, crueldade, psicose, endividamento, vida desbaratada, corrosão da memória e desintegração social». Recorrendo a autores como Guy Debord, Bernard Stiegler, Herbert Marcuse ou Lewis Mumford, Jonathan Crary faz uma crítica radical da digitalização do mundo e denuncia realidades inegáveis: a incompatibilidade entre um planeta habitável e a economia consumista e técnica, a atomização provocada pelas redes sociais, a era digital como fase terminal do capitalismo planetário.
«Se é possível um futuro habitável e comum no nosso planeta», conclui, «esse futuro será offline, dissociado dos sistemas e da actividade do capitalismo 24/7, que destroem o mundo».
Noreena Hertz dá-nos um retrato desassombrado mas otimista do mundo solitário que construímos e mostra-nos como a pandemia de Covid-19 acelerou o problema da solidão e o que precisamos de fazer para nos religarmos.
A solidão tornou-se a característica definidora do século XXI. Ela não só prejudica a nossa saúde física e mental, a nossa riqueza e a nossa felicidade, como constitui uma ameaça à democracia. Mesmo antes de uma pandemia global nos familiarizar com expressões como «distanciamento social», o tecido da comunidade estava a desfazer-se e pendia uma ameaça sobre as nossas relações pessoais. Porém, está nas nossas mãos resolvermos esta crise.
Num futuro próximo, Theodore Twombly é um homem solitário que ganha a vida a escrever cartas pessoais para outras pessoas. Recentemente separado e emocionalmente fragilizado, acaba por se interessar por um novo e avançado sistema operativo dotado de inteligência artificial, concebido para evoluir e adaptar-se ao utilizador.
Quando o instala, conhece “Samantha”, uma voz feminina cativante, perspicaz e sensível, com quem começa a estabelecer uma relação cada vez mais íntima. À medida que a ligação entre ambos se aprofunda, Theodore vê-se envolvido numa história de amor incomum, que o leva a questionar os limites da tecnologia, das emoções e do que significa, afinal, amar.
Deambular pela obra de Edward Hopper é mergulhar num universo onde a solidão e o silêncio da vida moderna ganham forma. O pintor americano captou como poucos a quietude das emoções humanas e o isolamento que tantas vezes acompanha a rotina. Nas suas telas, é recorrente vermos figuras solitárias em espaços do quotidiano, num café, num escritório, em casa ou num comboio, como na imagem escolhida para comunicar este Clube.
Mais do que representar a ausência de companhia, Hopper parece pintar a presença do vazio. Hoje, numa sociedade saturada de estímulos e ecrãs, o seu trabalho continua a ecoar, como se dissesse mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
Contemplem as suas obras.
ESPANTOSA REALIDADE DAS COISAS – ANTENA 1
É a história de Ana e Léon, uma catalã e um belga que se conhecem em Jerusalém e ao longo de dois anos vivem uma paixão intermitente, do Médio Oriente à América, passando por vários lugares da Europa.
«Alugaste um carro e de manhã arrancamos para Gaza, com a estrada entupida em todas as faixas. Cozemos lentamente acima dos 40 graus, mãos húmidas uma na outra, sabor de suor na ponta da língua. Depois deixamos o carro, atravessamos a pé o apocalipse de Erez, checkpoint sempre em progresso, e quando chegamos a Gaza o mar reluz ao fundo da rua. Na recepção da Marna House, eu peço dois quartos, tu sorris.»
Vencedor do Melhor Documentário nos prémios Óscares 2025. Um ato de resistência criativa na procura de justiça para o conflito israelo-palestiniano. Mergulha num conflito histórico no seu pior, num filme que tem camadas, humanidade e toda a esperança que se pode ter neste momento.
Basel Adra, um jovem ativista palestiniano de Masafer Yatta, na Cisjordânia, luta desde a infância contra a expulsão em massa da sua comunidade pelas autoridades israelitas. Documenta a erradicação das aldeias da sua região natal em câmara lenta, onde os soldados destacados pelo governo israelita vão demolindo gradualmente as casas e expulsando os seus habitantes. A certa altura, conhece Yuval, um jornalista israelita, que o apoia nos seus esforços.
Fudação (FFMS) – IN Pertinente
Fumaça / Podcast de Jornalismo de Investigação
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